Chama Por Ti


Quando me propus criar um programa para um workshop de desenvolvimento pessoal, duas grandes interrogações de imediato se levantaram. Qual o eixo central para um evento de dois dias, e que nome lhe daria que pudesse sintetizar o seu propósito.
Sendo especialista de PNL, vou certamente usar as suas poderosas ferramentas mas a PNL será somente uma força estruturante do curso. Vão ser sentidas as  influências de Eckart Tolle, Ken Wilber e tantos outros autores que me ajudaram e educaram.
Nas dificuldades das nossa vidas, que parecem desenrolar-se sem parar como as ondas numa praia, não queremos sentir, forte, a voz de quem chama por nós? E se for interior a voz mais forte e genuína?

Acende esta CHAMA!

http://www.facebook.com/event.php?eid=199614846777809

Nota: Este workshop está disponível para ser realizado em todo o país, em datas a combinar com os promotores.
O que este evento NÃO é?
Não dá receitas fáceis.
Não pretende criar entusiasmo e levantar ondas de energia que não
sobrevivem ao próprio evento.
O que este EVENTO É?
Experiência participativa que pode transformar a tua vida.
Gerador de ferramentas úteis para empregares durante e depois do
workshop.

PROGRAMA

Os aspectos do eu e modelos úteis para a integração
O conceito de corpo de dor e o papel do ego
Auto imagem e auto estima

O que ‘eu’ quero – aprender a formular objectivos e atingi-los
Planos, projectos e resultados.
O conceito e emprego de ecologia na nossa vida

‘Eu’ e os outros – estratégias para comunicar melhor
‘Eu’ e os outros – as posições perceptivas.
‘Eu’, o mundo e tudo o resto – integrando e alinhando.

Estados desejados, convicções limitadoras e sua transformação
Fazer um contrato ‘consigo’ mesmo. Eu Consigo!

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Frustração? Não, obrigado…


Os teus objectivos são atraentes ou não passam de grandiloquentes?
De acordo com a sugestão do coach Michael Neill, se aspirares a ter um dia médio, provavelmente vais ter um dia excelente. Não se trata de ter expectativas pobres. Trata-se de fugir à maldição da excepcionalidade. Não podemos ser todos ou sempre excepcionais. Por vezes, devemos simplesmente desejar ser bons, estar na média, corresponder a expectativas razoáveis, alinhadas com uma percepção realista do nosso potencial.
Se procurar a felicidade nos sucessos materiais, estarei a caminhar na senda da frustração. Os objectivos são um excelente instrumento para focar a energia e criar coisas com valor. Mas não têm muita utilidade para aumentar o nível fundamental de felicidade e bem-estar. Porquê? Porque os objectivos estão no exterior do nosso ser essencial, quer seja uma viagem, uma promoção profissional, ou uma casa melhor. E a fonte de bem-estar, segurança e felicidade não está aí, mas no nosso interior. Os objectivos poderão até tornar-se tóxicos se pensarmos que só ao atingi-los poderemos obter o contentamento e a satisfação.
Faz um favor a ti próprio, e dá a melhor qualidade de vida ao único momento em que estás vivo: agora.

Libertar a criança interior, crescer como adulto


O nosso problema não é que as necessidades da nossa criança interior não tenham sido satisfeitas. O que nos amarra ao sofrimento não é essa dor passada mas sim não termos feito, como adultos, o luto e a reciclagem dessa falta, dessa perda de satisfação emocional.

O luto tem várias formas: reconhecimento, raiva/dor, aceitação, ritual, separação emocional, reintegração da memória.
Reciclagem: reintegração energética, mobilização das emoções que estavam aprisionadas numa memória sombria.

Conforme escreve David Richo (How to be an adult), o luto é a forma adequada para reagir à perda, de acordo com várias fases, variáveis conforme as condições pessoais:

– Recordação e reconhecimento da dor ou falta sofrida. Isto envolve a identificação da energia emocional que lhe está associada e a expressão dos sentimentos relacionados de forma que haja uma transformação da forma como sentimos. Podemos exprimir os sentimentos directamente às pessoas envolvidas ou simplesmente a nós próprios ou em ambiente de terapia. A raiva é uma emoção legítima desde que limitada no tempo e dirigida para o facto em memória ou para a personificação do outro que está dentro de nós, percebendo que os seres de hoje já não são os seres que nos terão prejudicado.
Nesta fase, é preciso distinguir crenças e julgamentos (fui atraiçoado, rejeitado, etc) dos sentimentos associados à memória. O ego pode pedir-nos a expressão das crenças mas é a expressão dos sentimentos que é transformadora.

– Cura compassiva. Podemos revisitar as memórias desde que o façamos com a plena certeza de quanto somos já tão diferentes e levemos os recursos que descobrimos dentro de nós à criança interior que sofreu a sua falta. A PNL, com as terapias da linha do tempo ou de mudança de história pessoal, tem técnicas muito poderosas para este efeito.

Esta fase implica a aceitação plena dos factos que nos afectaram e o perdão aos seres responsáveis. Se não for possível perdoar a pessoas, podemos sempre perdoar às personificações dessas pessoas que habitam dentro de nós!

– Um ritual que mostre que sentimos e ultrapassámos o período de luto. Isto é importante como marcador emocional que faz o fecho de um ciclo. Pode escrever um texto e queimá-lo, enterrá-lo junto a uma árvore, etc. Ou simplesmente contar a uma pessoa amiga…

– Passar à acção como seres adultos que não esperam que outros os curem das faltas da sua infância. Ser adulto obriga a correr alguns riscos: os outros podem perceber-nos e acarinhar-nos ou podem rejeitar-nos e ferir-nos. Em ambos os casos, não é o que acontece que é muito importante, é aquilo que fazemos do acontecimento. E, se é muito bom sentirmo-nos validados pelo apoio dos outros, a fonte mais segura e suprema de validação reside no nosso cerne.

Pode o perfeccionismo ser criativo?


Nunca pensamos nada completamente novo, pelo menos no sentido em que tudo o que pensamos já tem um quadro de referência e decorre de uma escolha, de uma atitude ou de uma convicção.
Um dos quadros de referência possível é o do perfeccionismo, que escolho como tema deste ´post´ porque penso que não é o perfeccionismo que  se opõe ao pensamento indisciplinado e laxista que é tão vulgar. A moldura mental que favorece a criatividade e a viabilidade das ideias novas é a que combina sonho com realismo crítico e aceita a companhia da dúvida, da hesitação e do erro.

O perfeccionista distingue-se do amante das coisas bem feitas. Este namora a possibilidade de se exceder e procura nos problemas o casamento perfeito entre as possibilidades e os desafios, sabendo que não há casamentos perfeitos -há compromissos entusiasmantes.
Por contraste, o perfeccionista fica preso ao seu acto de amor solitário com o seu sonho, que nem sequer  é entusiasmante  porque lhe falta a generosidade de aceitar o erro.
Um dos efeitos perniciosos do quadro de pensamento do perfeccionista é secar o terreno à sua volta.

Em vez de estimular a criatividade dos outros, o perfeccionista, mesmo sem o desejar, impede a participação das ideias que se desenvolvem no quadro da tentativa e erro e que muitas vezes precisam de crescer no jardim da criação imperfeita.

Problemas imaginários têm soluções imaginárias


Como distinguir problemas reais de imaginários?
Regra prática: um problema real tem uma solução real, por difícil que seja. Os imaginários não têm solução, pelo menos no mesmo plano em que aparecem.
Problemas reais têm soluções reais, problemas imaginários, têm soluções imaginárias.
Se o seu problema tiver uma solução fora da realidade, o problema era imaginário.
Se é real e não tem solução, também deixou de ser problema: é uma condição objectiva, é um facto.
Exemplo: Eu quero passar para o lado de lá daquela alta montanha.
Problema é real, se eu considerar que esse é o meu objectivo e que vale a pena lutar por ele.
Assim, este problema tem uma solução:

-Há um caminho que pode ser encontrado ou um caminho pode ser feito.
-Eu tenho a forma física necessária para subir a montanha ou, senão tiver, posso adquiri-la.
-Etc.
Ou não tem solução. Não encontro forma de passar a montanha.
Agora tenho uma escolha: continuo com o problema e estou votado ao insucesso e ao eventual sofrimento. Ou, então, passo a considerar a montanha como um facto intransponível e ligo-me ao ilimitado campo das possibilidades abertas para quem não quer passar para o lado de lá daquela montanha específica e se concentra em explorar todas as alternativas: estabeleço-me no vale, continuo a viagem por outro lado, exploro uma mina no flanco da montanha (às vezes os problemas são ricos de oportunidades inesperadas!!!), etc.

A estrutura do sucesso


Tanto o fracasso como o sucesso têm uma estrutura. Se tens sucesso na forma habitual de fracassar, o que poderás fazer para a alterar?
“O sucesso torna as pessoas modestas, amigáveis e tolerantes; é o fracasso que as faz ásperas e ruins.” William Somerset Maugham

Isto é verdade? Como escritor, Somerset Maugham conhecia algo da natureza humana mas parece-me que tinha aqui uma visão muito doce daquilo que a atitude de perseguição do sucesso pode fazer das pessoas. O problema não está, justamente, em ter sucesso ou não. Está na atitude dependente ou independedente que nós temos em relação aos objectivos que nos propomos atingir. Que preço estamos dispostos a apagar por aquilo que queremos ter ou conseguir? Quais os sacrifícios ecológicos que aceitamos? Recordo mais uma vez o entendimento PNL de ecologia:
Aquilo que desejamos deve ser avaliado nas suas consequências em relação às nossas diversas partes e aos sistemas a que pertencemos e o sucesso em atingir  o objectivo deve ainda ser comparado com as consequências positivas e negativas de não o atingir.
Há, pois sucessos que nos transformam em pessoas melhores porque mais realizadas e outros que nos aprisionam nas suas consequências e no preço que pagámos.
E os insucessos? Transformemos em aprendizagens e  sobre eles podemos construir o caminho para o verdadeiro sucesso, aquele que irá fazer o máximo sentido para nós.

Pensando fora das normas – dar a volta a problemas.



O que são problemas de vida? Numa dada situação, temos que tomar decisões que não nos são confortáveis, para as quais não estamos preparados ou não há nenhuma decisão que se nos afigure como possível ou gratificante.
Por vezes, deparamos com Problemas com P grande, que ganham contornos emocionais pesados, provavelmente de medo, de ansiedade ou raiva.
Vale a pena fazer-lhes uma abordagem criativa, pensando fora das normas. Imagine que os problemas são dotados de vontade própria e que nos propõem um jogo chamado ‘Resolve-me, senão…’
Experimente recusar jogar o jogo no tabuleiro que o problema nos propõe. Raramente um problema se resolve no mesmo nível ou nos mesmos termos em que é colocado.Estarmos muito envolvidos com o problema retira-nos, justamente, a perspectiva para o encarar nas melhores condições para o solucionar. Ou talvez o problema real que podemos resolver seja outro e não aquele a que nos habituámos…Prepare-se para surpresas quando pensar fora da caixa.

Em que votei quando votei F.Nobre


Parece que assentou o pó sobre este assunto, pelo que é mesmo agora que me apetece escrever sobre ele.
Numa perspectiva dos níveis identitários da PNL, o que estava em jogo? Ao votar, eu dou um voto de confiança no candidato (ele mesmo), no seu comportamento, ou nas convicções e valores que ele representa ou afirma representar?
Qual é a pergunta mais importante que interessa responder: porque votei FN ou para que votei FN? Do comportamento político de FN, pouco se sabia – só era pública a sua acção mediática e dedicada enquanto presidente da AMI.
Pessoa amiga que o conhecia tinha-me alertado acerca do ego inflacionado do homem Fernando Nobre. Não me cabia julgá-lo e não senti que estivesse em causa o grau de desenvolvimento espiritual de FN.
Das convicções de FN sobre o cargo político que se propunha desempenhar resultava uma grande confusão e falta de solidez política. Então o que sobrava?
Sobravam, e não era pouco,  os valores da solidariedade e da cidadania. O combate à corrupção. O refrescamento higiénico da paisagem política.
E, acima de tudo, sobrava o ‘para quê’ do meu voto: Votei FN para abrir espaço à hipótese de termos cidadãos a desempenhar cargos políticos de relevo sem terem de passar pelas escolas partidárias e seus crivos.
Concluindo, não estou arrependido de ter votado FN.
É que não votei nele, votei na esperança que ele trazia e essa teve uma significativa votação. Espero que outro, que não FN, venha a ser portador e multiplicador dessa esperança, em próxima oportunidade.

Descoisificar ou desesperar?


O beco sem saída da compensação pelo consumo
Reconheçamos – estamos muito assustados com as perspectivas da crise porquê?
Alguns de nós correm risco de desemprego, mas a maioria simplesmente se depara com o facto nu e cru de que vai ter acesso a menos bens e coisas do que costumava ter. Pela primeira vez desde o boom económico do pós-guerra, a nova geração não pode aspirar, no geral, a ter maiores salários e regalias do que os seus pais.
Para quem se habituou a encontrar no consumo uma fonte de satisfação emocional, o panorama pode ser mesmo assustador.

Não é em vão que se chama aos centros comerciais as catedrais do consumo. A verdade é que os portugueses se habituaram a padrões de consumo do 1º mundo com toda a carga de desperdício que isso implica.
Mas a verdade é que, como seres humanos, nós precisamos de relativamente pouco: abrigo, alimentação e satisfação pessoal.
No que se refere à satisfação, vejamos as 6 necessidades humanas, tal como definidas por A.Robbins, um dos nomes famosos da PNL americana:

1-Estabilidade e os seus sucedâneos: segurança e conforto
2- Diversidade
3- Significado
4- Conexão e amor
5- Contribuição
6- Crescimento

Demasiadas pessoas têm dificuldade em cumprir todas estas necessidades de uma forma gratificante e algumas negam que precisem da sua satisfação. Quantas não afirmam que não carecem de conexão, protegendo-se com o egoísmo ou o isolamento? Outras desprezam o crescimento, enquistando-se no seu pequeno mundo, fechado e aparentemente protegido.

E onde entra aqui o consumo? Qualquer actividade se pode tornar aditiva se preencher pelo menos três das necessidades humanas. O consumo, que é a actividade de apropriação de bens ou serviços, pode dar-nos a ilusão de satisfazer todas elas. Como?
Ter mais coisas pode dar-nos a sensação de :
-Segurança e conforto.
Significado: Eu exibo a posse de bens, eu sou um vencedor, eu sou apreciado pelos outros, uma parte de mim reafirma-me como uma pessoa capaz de vencer na vida.
-Conexão. As coisas podem dar-nos a ideia de pertencer ao clube da pessoas que lhe têm acesso. Este fenómeno explica o sucesso das marcas de produtos raros e de luxo.
– Contribuição. A ideia de que se contribui para o funcionamento da economia.
– Crescimento: O consumo compulsivo de cursos e terapias. Eu  dou consultas e faço formação mas devo dizer que muitas pessoas saltam de curso em curso à procura de satisfazer esta necessidade, muitas vezes sem um forte critério de qualidade e integração de resultados.

 A outro nível, o consumo fornece-nos um reforço instantâneo de auto-estima e poder. Quanto dura? O resultado é um prazer rápido mas de muito curta validade tornando-se necessário repetir o acto de consumo brevemente.

Mais grave, a expectativa de virmos a passar por um período eventualmente longo de menor acesso a bens incomoda-nos porque fomos ensinados a identificar coisas com qualidade de vida.

Torna-se então premente reavaliar os nossos valores, crenças e procedimentos de forma a não precisarmos do ‘chuto’ de químicos neuronais que advém do consumo e obtermos contentamento de outras formas.

O que podemos fazer?- Desidentificar o consumo com a qualidade de vida. Há tantas coisas grátis ou muito baratas, sem custos ambientais. Passear a pé, visitar monumentos e museus, frequentar bibliotecas públicas, assistir a palestras e tertúlias gratuitas, etc…
– Assumirmos mais ecologia na nossa vida diária, tirando prazer do exercício do consumo esclarecido.
– Olhar para as seis necessidades humanas e pensar como satisfazê-las de uma forma que nos torne mais resilientes.
– Entender que a felicidade é um estado de libertação de condicionamentos e do medo, não um estado que depende de conseguir objectivos materiais.
-Tornar a auto-imagem e identidade firmemente baseada em convicções ilimitadas e ligadas a um forte sentimento de pertença e missão.
– Valorizar e honrar as pequenas coisas da vida, que se encontram sempre em nosso redor e que passam tão despercebidas…

Descoisifiquemo-nos e respiremos melhor o ar puro da liberdade

Somos navios …?


Um belo mas melancólico poema de Longfellow  diz:
Navios que passam na noite, e saúdam-se ao passar, só mostrando um sinal e uma distante voz na escuridão. Assim no oceano da vida, nós passamos e falamos brevemente, só um olhar e uma voz, e depois novamente a escuridão e um silêncio. 
Há pessoas que saem de relações sentindo-se como no poema de Longfellow, navios perdidos do outro com que brevemente se cruzaram ou com quem a par navegaram uma parte da sua viagem.
Há até quem fique ressentido,  como se o outro tivesse violado um pacto de vida/viagem e levasse consigo toda a esperança de voltar a ser inteiro e navegar os mares com o ímpeto que é próprio de um navio que descansa nos portos mas só no oceano realiza a sua natureza.
Se tudo isto são metáforas, porque não escolher uma metáfora que nos seja mais compensadora?
Imaginemos que somos como um navio que viaja a par  com outro até que um se despede porque a sua rota o leva para outro destino. Guardemos dessa partilha de viagem o amparo e a gratificação que vivemos. E compreendamos que a decisão de tomar outro destino não depende fundamentalmente de nós mas sim da motivação profunda de quem comanda o outro navio.
E quem é esta entidade que decide o destino e traça a rota? Será o piloto que manobra o leme (a nossa mente), o capitão que dá ordens (eu, ego), o dono do navio (algo superior a quer estamos ligados) ou simplesmente as correntes do oceano que foram mais fortes do que as vontades?