Atitudes Gratificantes


No post anterior, tinha apontado a 1ª das atitudes que conduzem a estados de gratificação:
Saborear e explorar – o poder da variedade.

Eis as restantes três:

2. Aproveitar e integrar – o poder da aceitação.
O primeiro passo da mudança é não mudar. Estranho não é? De facto este ‘não mudar’ está carregado de outro significado. É aceitar os factos ou o estado em que nos encontramos antes de desenvolver acções para os alterar.
Nunca é demais repetir que aceitação se distingue completamente de resignação, na medida em que aceitar é só uma etapa para a transformação. É o momento em que podemos parar, aprender com os factos presentes, eventualmente com algum erro, e ganhar forças.
Aceitação é o alicerce para mudar e desenvolver uma nova estratégia.
Aproveitar é o que acontece quando um facto novo aparece inesperadamente e o usamos para um fim útil.
Sucede algo não planeado? Aproveite, use e integre os imprevistos, mesmo que aparentemente desagradáveis. Faça como um actor a quem deram a deixa errada e a usa para desenvolver a sua prestação sem que o público disso se aperceba.
Aproveitamento e integração são dois aspectos da aceitação – o momento de pausa e focagem que antecede o movimento para uma acção de mudança e transformação.

3. Reenquadrar – o poder do humor.
Se quiser mudar a realidade, ria-se dela.
A sua visão da realidade não altera a substância dos factos mas permite-lhe alterar a forma como lhes reage e os ultrapassa.
O riso e o humor são o meio mais poderoso para mudar o seu estado de espírito, a sua fisiologia e a forma como configura a sua realidade. O humor é a suprema arte do reenquadramento positivo e  da invenção surpreendente de formas criativas de ver a sua realidade. Ao fazer isto, é toda a sua vida que fica diferente.
Na próxima vez que se confrontar com um acontecimento exterior ou interior desagradável, experimente dar-lhe a volta, reenquadrando o seu significado ou o seu contexto pelos olhos de um humorista.  Pense como seria a reacção e atitude do cómico ou personagem que você admira pelo seu sentido de humor.
Este é um procedimento  que pode e deve praticar frequentemente, mesmo quando aparentemente não precisa de o fazer, já que prática  o torna cada vez mais gratificante.

4. Agradecer – o poder da retribuição.
O agradecimento é uma forma de aceitar e passar o recibo ao universo. Demasiadas vezes tomamos como simplesmente merecidas ou devidas as dádivas que a vida nos oferece.  Consideramos que temos um direito adquirido para obter as coisas que fazem parte do essencial da vida, como segurança, água, higiene urbana, etc., esquecendo que são conquistas civilizacionais que têm um preço e estão longe de estar garantidas para a maioria dos seres humanos.
Agradecer as pequenas coisas da vida é uma forma de as honrar e tornar a nossa experiência mais diversificada e rica. É também uma forma de retribuir energeticamente sendo nós mesmos os primeiros beneficiários dessa retribuição.

 

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Gratificação


A crença de que a felicidade é um estado essencial não nos diz que o acesso a esse estado seja isento de dificuldades. Provavelmente, no nosso percurso de vida, acumulámos crenças que nos limitam, memórias que nos perturbam, hábitos que nos inibem, etc.
Assim como há comportamentos que diminuem a nossa capacidade de experimentar a alegria, o prazer sustentado, o contentamento ou qualquer outro sentimento que a felicidade usa para se manifestar, há atitudes que facilitam o acesso e a permanência em estados gratificantes.
Eis as quatro que eu julgo mais importantes:
1. Saborear e explorar – o poder da variedade
A variedade é um requisito para que as experiências nos tragam prazer. Os milionários são conhecidos por sofrerem do aborrecimento dos ricos, já que os prazeres a que têm acesso perdem rapidamente a sua atracção com a facilidade com que são repetidos. Mas a verdade é que todos temos a possibilidade de saborear qualquer evento sensorial, por mais simples que seja, desde que lhe prestemos toda a atenção consciente e lhe demos o tempo necessário para que a experiência se desenrole em todas as suas nuances.
Imagine-se a comer um morango em 1 segundo. Ok, agora imagine que começa por receber o seu aroma e sentir a sua textura exterior, antecipando a primeira dentada, que vai libertar o suco doce ácido. Depois, autoriza-se a mastigar, numa explosão de sabores e texturas, dando atenção às pequenas graínhas. Antes de comer outro morango, desfruta do sabor que fica na boca e se prolonga durante alguns momentos. Bom, acho que já percebeu a diferença.

As outras três serão expostas em futuro post.

Pratique ser feliz


Como, ser feliz é algo que se pratica? E se eu não souber como?
Eu tenho duas visões da felicidade e acho que não são contraditórias, como pode parecer. Uma diz que a felicidade não é um objectivo mas sim um processo. Nesta visão, a felicidade pode ser experimentada como estado temporário e não como um estado definitivo e permanente. Este modelo é útil para a maior parte de nós, enquanto não compreendermos algo que é tão difícil por ser demasiado fácil: a felicidade é um estado interior que é nosso por direito próprio e que não depende de condições exteriores. Esta é a visão alternativa, que aceita a felicidade como um estado definitivo e permanente, só que não está onde normalmente a procuramos: na dependência de acontecimentos ou da acumulação de sucessos ou bens.
Não posso ensinar a prática da felicidade mas posso apontar a prática que impede a felicidade, que é o exercício da pena de si, da auto punição e da desresponsabilização pela condução das sua vida. Esta prática, tão vulgarizada, leva-nos a sentirmo-nos vítimas de outros, do destino ou do ‘sistema’.
É uma dependência poderosa, como  de uma droga altamente viciante, pois sentir pena de si fornece um bem estar imediato mas que vai perdendo a eficácia com o tempo. Então é preciso sentir cada vez mais pena de si e lamentar-se fortemente por se ser o que se é e não se possuir aquilo que nos tiraria da triste situação em que estamos.
Comece por deixar de perguntar ‘porquê eu’´,’ porque me acontece a mim?’  e passe a perguntar-se: ‘O que posso fazer?’, ‘O que aprendi com isto e me pode ajudar a fazer diferente?’
Passe a aceitar os seus estados antes de os querer transformar ou negar. Mas não se resigne.
E faça as pazes com o seu passado e com quem nele ainda habita. Viva mais o presente e perceba que o futuro só existe nos seus planos e nos seus medos. Se precisar de ‘ir’ ao futuro, veja bem que esta é uma viagem dentro da sua imaginação. Pode, então, imaginar o melhor, em vez de imaginar o pior.

A tentação entorpecedora


Por muito que seja tentador acharmos que a sociedade ou o mundo nos devem garantir meios materiais para a qualidade de vida, isso não passa de uma ilusão entorpecedora.
O direito à felicidade é simplesmente uma porta aberta para um longo e sinuoso caminho. É muito ou é pouco? Depende de nós e da forma de vermos o caminho.  Cheio de obstáculos ou prenhe de desafios e paisagens deslumbrantes.

Por outro lado, podemos não escolher esta visão da felicidade como processo. A visão alternativa é a da felicidade como estado interior.
A felicidade pode estar já bem dentro de nós como um estado essencial do qual só precisamos de recordar a senha de entrada.

Nunca a felicidade é um bem transacionável que podemos adquirir sem esforço, fora ou dentro de nós. É esta a ilusão entorpecedora que nos é vendida muito barata pela sociedade de consumo. Barata, mas o preço que pagamos pode tornar-se muito alto!

Queremos o bilhete para o sucesso, carimbado com a garantia da felicidade?.


Sucesso e felicidade dançam ao som da música criada pelas notas dos nossas acções sobre a partitura dos nossos pensamentos.

O sucesso não é a chave para a felicidade. Nem a felicidade é a chave para o sucesso, porque uma é um estado interior e o outro é um estado dependente. Ou pode o sucesso ser também um estado interior?
E o que tem isto a ver com a manifestação da geração à rasca, para onde remete a foto? Tem tudo, porque esta geração procura o sucesso e procura a felicidade com o entusiasmo e a disponibilidade que só os jovens conseguem plenamente ter.
Sucesso e felicidade ganham ambos em serem separados do seu abraço asfixiante. Porque têm naturezas diferentes e implicam processos diversos, não são alcançáveis no mesmo nível espiritual ou através da mesma busca.
O sucesso, na sua acepção corrente, provem de uma avaliação social e responde à  necessidade de atingir objectivos externos, obtendo resultados mensuráveis de acordo com uma grelha de valores práticos.
A felicidade, como eu a entendo, é simultaneamente um processo de abertura energética, um namoro com a união ao outro e outros que nos completam e um estado interior que não é preciso conquistar porque já é nosso por natureza.
Pode o sucesso estar alinhado  com a felicidade? Claro que pode e a sociedade terá dado um passo de gigante quando a maioria de nós o conseguir fazer.

Solução não é trocar um problema por outro!


Eu tenho dois filhos dentro desta geração e dentro do problema. Um estuda fotografia e outra é psicóloga. Ah, que bom seria terem firmado um contrato com o estado, ao entrarem no ensino superior, que lhes desse a garantia de um emprego!
Ou afinal, seria isso uma má ideia? Para as pessoas livres, que não querem um estado (e um governo) a intrometer-se nas nossas vidas, essa não seria de facto uma boa ideia. Até porque não haveria forma de a financiar.
Espero ardentemente que os meus filhos consigam fazer aquilo que gostam, já que escolheram os respectivos cursos em consciência. E não posso nem devo exigir que o estado lhes dê um emprego. Espero é que não lhes crie mais dificuldades e faça aquilo que lhe compete: criar condições para que a livre iniciativa e o empreendorismo floresçam e se desenvolvam, desenvolvendo assim a  economia e a sociedade em geral. E se não retire da esfera que é muito  sua – promover a justiça social e o apoio aos que mais precisam!

Depois de escrever, no post anterior, que tinha participado na festa, é altura de meditar sobre a atitude tão portuguesa de nos consideramos vítimas de algo que conspira contra nós. Esta atitude, também evidenciada nos promotores da manifestação contra os políticos, não conduz a nenhuma solução. Quando muito, muda o problema.

Eu compreendo bem a indignação e penso que ela deve ser gritada bem alto, assim como penso, como tanta gente, que estamos muito mal servidos de políticos. Alguns, como o Sr.Presidente Cavaco Silva, têm uma memória curtíssima como se não tivessem posto e disposto da coisa pública durante os anos que geraram todas as condições subjacentes à crise!
Todavia, eles são parte do que nós somos. Não é possível dizer ‘eles’ como se não tivéssemos nada a ver com isso. Por acção ou omissão, por interesse ou distracção, nós todos temos uma parte da responsabilidade por a classe política ser o que é.
Considerarmos que estamos, inocentes, de um lado da equação que é o lado do efeito, enquanto existe um monstro qualquer que ocupa o lugar da causa, só nos torna ainda mais indefesos e impotentes.
Como indivíduos, como grupos e como nação, só teremos a ganhar com uma atitude de co-responsabilização e de exigência cívica que nos coloque do lado da causa, que nos devolva a iniciativa e afugente de vez o ‘medo de existir’ de que falava o filósofo José Gil.
Sentirmo-nos temporariamente à rasca pode ter o condão de nos fazer mexer. Mas que isso seja mesmo um gatilho para o disparo. O efectivo disparo para nos sentirmos mobilizados e reconectados com o nosso poder de pensar e decidir autónoma e livremente e de agir poderosamente na construção do nosso presente-futuro.
Aceitemos pois, só por uns instantes, o sentimento de termos sido molestados e estarmos à rasca. E não nos resignemos.

Geração à rasca ou “A confusão é o princípio de uma nova realidade”


Estive hoje na 1ª manifestação da nova era das redes informais em Portugal, a manifestação convocada pelos jovens dos empregos precários contra os decisores políticos em geral.
Alguns os censuraram por não terem programa. Programas abundantes têm tido os partidos e todos os governos e parece que isso não tem funcionado.
Mais importante que um programa, esta manifestação teve festa, irreverência, energia e entusiasmo. E teve inclusão, o que foi muito bonito de ver. Inclusão de várias gerações  e de diversas sensibilidades políticas, de gente que só se juntava pela vontade de mudar e de acreditar que isso é possível.
Eu atravesso, pessoalmente, um época de grande crise em alguns domínios e, todavia, não me sinto à rasca. Agradeço isso ao meu sistema de valores e crenças e ao treino em PNL. Mas percebo muito bem os que assim se sentem e só espero que estes sejam capazes de orientar a sua energia de protesto para uma intervenção estruturada, com objectivos bem formados e  reunindo o pensamento, a sensibilidade e a acção. Para bem de Portugal, para bem de nós.

Aceita o desespero. Ele pode ajudar-te.


“Não temas o teu desespero. Sê gentil contigo mesmo. Dá tempo a esta jornada. Deixa que o desespero te guie para o ‘eu’ que precisa de nascer. Deixa que ele te presenteie com uma inquebrantável fé na vida” Miriam Greenspan
Esta citação de Miriam Greenspan vem a propósito de um post anterior sobre a aceitação das emoções ditas negativas e o pensamento positivo. O erro do pensamento positivo tomado na sua acepção mais simplista é a obsessão por transformar tudo numa visão cor de rosa que não passa de uma distorção empobrecedora da realidade.
O pensamento útil é integral e incorpora também os estados de espírito menos atraentes, assim como toda a panóplia de sentimentos. Só após esta integração é produtivo e eficaz transmutar o seu estado para a tão desejada visão positiva da realidade e de si mesmo.

E o que isto tem a ver com PNL? Certamente que tem: o respeito pela integralidade de si, com todas as suas partes. A crença de que podemos escolher os nossos estados não significa a rejeição liminar das nossas sombras. Isso seria como fugir delas. A minha visão da PNL é integrativa, ao invés de um modelo de via única para a felicidade empacotada.

A União – estado essencial


Há uma técnica em PNL designada ‘Transformação Essencial’, em que se procura a harmonização de partes de nós que, neste modelo, se considerem origem de comportamentos ‘negativos’.
No decurso do processo, o cliente é levado a experimentar estados mentais sucessivamente mais integrados e satisfatórios.
O estado essencial  mais referido, na minha experiência de coach, tem sido o de UNIÃO.
Os meus clientes não sentem necessidade de descriminar o que para eles é esse estado de União – o seu extraordinário bem estar reflecte-se na sua fisiologia e no reconhecimento de que não há nada mais importante.
Temos saudades de ser UM ou aspiramos a fazer parte do todo, mantendo a nossa individualidade? Na manifestação terrena que é a nossa, a minha resposta é SIM, para ambas as hipóteses.
Depois de experimentarem o estado essencial, que é também um objectivo último de qualquer parte de nós responsável por um comportamento que não apreciamos, torna-se fácil para os clientes integrarem essa parte, sentindo-se mais completos e em harmonia consigo e com o mundo.
A este propósito, acabei de ler um post muito interessante no blog de Filomena Nunes, sobre o papel das religiões, que são o tradicional meio pelo qual a humanidade procurou ligar-se ao Cosmos dentro e fora de si. Sugiro que sigam o link:
http://terramena.blogspot.com/2011/03/porque-sou-religiosa-sem-religiao.html

Emoções Negativas(?) e Pensamento Positivo(?)


Não recusemos emoções aparentemente negativas, em nome do mito do Pensamento Positivo. Isso seria o mesmo que emparedar  um rio para criar um charco de água sem vida. Emoções são energia em movimento – o seu bloqueio seria uma fonte de doença e mal estar.
Não são os sentimentos que nos fazem sofrer mas  sim a resistência que lhes colocamos.
Nesta visão, para que serve o Pensamento Positivo? Para enquadrar os sentimentos, escolhendo o significado que lhes queremos dar.

Escolha de significado – uma das manifestações da nossa liberdade!